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Gestantes de áreas vulneráveis enfrentam risco até 68% maior de perder o bebê, aponta Fiocruz

Estudo analisou dados de 18 anos e mostra que desigualdades socioeconômicas influenciam diretamente as taxas de natimortalidade no Brasil.

by Redação Atualizado: dezembro 8, 2025
escrito por Redação
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Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz revelou que gestantes que vivem em municípios mais vulneráveis têm risco até 68% maior de perder o bebê durante a gestação ou o parto. A pesquisa, desenvolvida em parceria com instituições do Brasil, Reino Unido e Canadá, analisou nascimentos entre 2000 e 2018. Os dados mostram diferenças significativas entre cidades com maior nível de privação e aquelas com melhores condições socioeconômicas.

Gestantes que vivem em municípios brasileiros com maior vulnerabilidade socioeconômica enfrentam risco até 68% superior de sofrer natimortalidade quando comparadas às que residem em regiões com melhores indicadores. A conclusão faz parte de um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com a London School of Hygiene and Tropical Medicine, a Universidade de São Paulo (USP) e a Western University, no Canadá.

A pesquisa, publicada na revista BMC Pregnancy and Childbirth, avaliou registros oficiais do Ministério da Saúde relativos aos nascimentos no país entre 2000 e 2018. Os dados foram relacionados ao Índice Brasileiro de Privação, ferramenta que classifica os municípios segundo critérios como renda, escolaridade e condições de moradia.

Segundo os pesquisadores, o objetivo foi identificar se o declínio nacional no risco de natimortalidade ocorreu de maneira homogênea em todo o território ou se persistiram desigualdades estruturais entre os diferentes níveis de privação. O estudo constatou que, embora o Brasil tenha registrado melhora geral nesse indicador, incluindo uma redução de 30,7% na taxa de natimortalidade entre 2000 e 2019, essa evolução não foi observada de forma equivalente em todas as cidades.

Os resultados mostram que, em 2018, o Brasil registrou 28,6 casos de fetos que morreram após a 20ª semana de gestação ou durante o parto, o equivalente a 9,6 natimortos por mil nascimentos. No entanto, essa taxa se reduz para 7,5 por mil em municípios com melhores condições socioeconômicas e sobe para 11,8 nas localidades com maior nível de privação.

Para a pesquisadora Enny Paixão, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia, as evidências revelam de forma clara a existência de uma diferença estrutural que afeta a saúde materno-infantil no país. Ela ressalta que a manutenção de taxas elevadas nas regiões mais vulneráveis demonstra a necessidade de políticas direcionadas para reduzir desigualdades no acesso e na qualidade da atenção pré-natal e perinatal.

O estudo aponta ainda que o impacto dessas condições pode estar relacionado ao fato de que municípios com maior privação concentram populações mais rurais e isoladas, que frequentemente precisam percorrer longas distâncias até serviços de saúde especializados. Esse cenário, segundo os pesquisadores, contribui para limitar o acesso ao cuidado adequado durante a gravidez e o parto, além de expor fragilidades na oferta de serviços de maior complexidade.

Embora haja indícios de que avanços em políticas públicas de saúde, educação e saneamento tenham colaborado para a redução média da natimortalidade no país, os pesquisadores destacam que tais intervenções não surtiram efeito equivalente em municípios mais carentes. A análise reforça que a persistência das desigualdades evidencia a necessidade de ampliar estratégias específicas para populações mais vulneráveis.

Para Enny Paixão, analisar a natimortalidade sob o recorte do nível de privação ajuda a identificar lacunas, além de permitir o desenvolvimento de políticas mais precisas para garantir melhorias no acesso e na qualidade da assistência à gestante. Segundo ela, compreender essas disparidades é fundamental para orientar ações que reduzam as diferenças regionais e fortaleçam a atenção perinatal no Brasil.

Analise:
O estudo mostra que a redução da natimortalidade no Brasil não se distribui de maneira uniforme e que desigualdades socioeconômicas permanecem como fator determinante para o risco de perda gestacional. As evidências indicam que diferenças de acesso a serviços de saúde, infraestrutura e condições de vida impactam diretamente a qualidade do pré-natal e do atendimento ao parto. A pesquisa reforça a importância de políticas específicas para regiões mais vulneráveis, com foco na ampliação de serviços especializados e na redução das barreiras territoriais e estruturais enfrentadas pelas gestantes.

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Redação

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